Tudo é divino, tudo é maravilhoso - Diario do Nordeste - Caderno 3

29.05.2014

Projeto da ADUFC promove encontros musicais gratuitos. Hoje, recebe Paula Tesser e Nonato Luiz

 

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Paula Tesser, atração da primeira edição do projeto "Divinomaravilhoso". Repertório explicita as influências francófonas da cantora, passando por canções de ícones como Edith Piaf, Serge Gainsbourg e Henri Salvador
FOTO: FABIANE DE PAULA










 
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Nonato Luiz: promessa de uma história violonística brasileira ao vivo
FOTO: LUCAS DE MENEZES

Belchior costumava cantar que era apenas um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior, mas que trazia de cabeça uma canção do rádio em que um antigo compositor baiano dizia que "tudo é divino, tudo é maravilhoso". Era Caetano que lhe falava, acrescentando ainda podia ser perigoso.

Filho de dois pais inspiradores, "Divinomaravilhoso" é o nome de batismo do novo projeto musical da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Ceará (ADUFC). Serão seis encontros musicais em 2014, sempre às últimas quintas-feiras de cada mês, pautados no encontro de gerações, de trajetórias musicais, de estilos e gêneros, de escolhas. A ideia é reunir o que a entidade considera como "personagens da nossa grande arte musical popular".

Para a primeira edição, a curadoria da professora e coordenadora do Curso de Licenciatura em Música da UFC, Consiglia Latorre, e do professor de Filosofia da UFC, Dilmar Miranda, selecionou a jovem cantora Paula Tesser e o violonista com quase 40 anos de carreira Nonato Luiz. A justificativa da escolha se vale do "ofício de bem dizer nossa arte popular maior - a MPB", afirmam os docentes, ainda que os artistas tenham percorrido trajetórias distintas. "O violão virtuoso de Nonato nos traz o talento da geração bem próxima àquela responsável pela explosão musical dos anos 1970 com fortes ressonâncias por todo o País. O frescor da voz de Paulinha, também experimentada em terras de além-mar, nos faz mergulhar na contemporaneidade da canção popular, nos reafirmando a pujança de sua existência. São percepções e sensações que gostaríamos de partilhar com todos", explicam os curadores.

França no Ceará

Cenário, público e artista serão transportados para os cabarés populares do subúrbio parisiense, as chamadas "Guinguettes", durante a apresentação da cantora Paula Tesser. O nome do show "Démons et merveilles", faz referência à canção do poeta e roteirista francês Jacques Prévert para o filme "Os trovadores malditos" de Marcel Carné (1942).

"Tenho dupla nacionalidade: minha segunda pátria é a França", revela Paula. A vontade de viver musicalmente o seu outro berço a incentivou a montar um espetáculo baseado somente em canções de ícones franceses, formando uma seleção antológica e afetiva que passa por Edith Piaf, Charles Trenet, Serge Gainsbourg e Henri Salvador, dentre outros.

A proposta pode parecer um pouco fora de lugar quando se pensa que o projeto "Divinomaravilhoso" é focado na música popular brasileira. A própria artista temeu que "Démons et merveilles" fosse barrado pela curadoria. Contanto, a argumentação de que, apesar do idioma estrangeiro, ela estaria cantando música popular de qualquer forma, parece ter sido suficiente para convencer a banca. "A gente teve um período de forte atuação da cultura francesa que depois se perdeu com essa diversidade do mundo todo. Não tenha dúvida que as pessoas vão se reconhecer e vão ter uma certa intimidade com as canções que vão ser apresentadas", garante Tesser.

Tradição

O fim da apresentação de Paula Tesser contém uma ponte para a performance de Nonato Luiz, já que duas músicas serão compartilhadas pelos artistas no palco, pinçadas do álbum "Baú de Brinquedos", lançado pelo violonista em 2000, em parceira com o poeta carioca Abel Silva.

Repertório é o que não falta para Nonato Luiz. Em quase 40 anos de carreira, o instrumentista contabiliza mais de 500 músicas e 30 álbuns. Na discografia, territórios musicais foram cruzados sem medo: da valsa ao choro, dos "allegros" às baladas e mesmo ou principalmente os gêneros tipicamente nordestinos, como baiões, xotes e frevos. "São tantas facetas, né? Mas aí é que está, sempre é com a raiz nordestina. Tudo que eu pego da música erudita, barroca, medieval tem a ver com nossa história. Sou muito integrado. Eu faço uma música universal dentro do nosso universo", detalha o instrumentista.

Para o show na ADUFC, Nonato promete dar continuidade ao próprio trabalho sem fronteiras entre o erudito e o popular, privilegiando no toque das cordas do violão a "história violonística brasileira", como denomina. "Embora reunindo vários ritmos, vários universos musicais, eu faço uma musica própria. Não deixa de ser um estilo bem brasileiro, bem nordestino. Gosto de ousadia, de desafios, para não ficar só na mesmice, mas sempre com o pé no chão", afirma. O repertório relembrará os últimos 35 anos de carreira, sendo pautado principalmente pelo DVD comemorativo à data, lançado em 2012 no Theatro José de Alencar.

Mais informações:
Projeto Musical Divinomaravilhoso #1. Às 19 horas, na sede da Adufc (Avenida da Universidade, 2346 - Benfica). Gratuito.
Contato: (85) 3066.1818

 
  Nonato Luiz: nonato@nonatoluiz.com.br Forma Criativa